sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ele me Despertou!


Tinha o vigor de um leão selvagem
Tinha a sanidade das águas diáfanas
Tinha o efeito da própria luz
E era manso como a brisa,
Frágil e dependente
Como a criança recém-nascida

Quando falava,
Havia em sua voz
Um sinal de inexplicável fulgor

Quando sorria,
Fazia-me reanimar,
Como a grama seca,
Sob a chuva do verão

Quando me abraçava,
Eu sentia o amor por entre os dedos,
E todas as coisas difíceis
Tornavam-se fáceis

Quando caminhava ao meu lado,
Eu sentia asas nos pés
E não sentia a rudeza do chão

Crer nele e amá-lo
Foram os mais simples automatismos que conheci
E eles deixaram raízes largas dentro de mim

Com ele
Senti a realidade da terra
Dura como a pedra
Transformar-se de repente
Em símbolos suaves do Reino dos Céus

Sem temor e sem desculpas
Sem explicações e sem promessas
Eu despertei para ele
Como para o sol da manhã

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