Tinha o vigor de um leão selvagem
Tinha a sanidade das águas diáfanas
Tinha o efeito da própria luz
E era manso como a brisa,
Frágil e dependente
Como a criança recém-nascida
Quando falava,
Havia em sua voz
Um sinal de inexplicável fulgor
Quando sorria,
Fazia-me reanimar,
Como a grama seca,
Sob a chuva do verão
Quando me abraçava,
Eu sentia o amor por entre os dedos,
E todas as coisas difíceis
Tornavam-se fáceis
Quando caminhava ao meu lado,
Eu sentia asas nos pés
E não sentia a rudeza do chão
Crer nele e amá-lo
Foram os mais simples automatismos que conheci
E eles deixaram raízes largas dentro de mim
Com ele
Senti a realidade da terra
Dura como a pedra
Transformar-se de repente
Em símbolos suaves do Reino dos Céus
Sem temor e sem desculpas
Sem explicações e sem promessas
Eu despertei para ele
Como para o sol da manhã